Produções atuais

Rituais íntimos partilháveis – CPP_Implicações (2020 – 2021)

A ideia de rituais íntimos começou a ser mobilizada pelas integrantes do coletivo em 2019 a partir da habitação do universo das crenças populares,  investindo nas criação de simpatias e mandingas. O grupo parte da proposta de se inventar rituais próprios para destravar os caminhos de um Brasil em pleno retrocesso. Em “Amarração para um pequeno Brasil” algumas pessoas são convidadas, uma a uma, para realizar ações com esse intuito.

Uma parceria com o projeto CPP_Implicações (UNESPAR) permitiu que essa pesquisa se desdobrasse em outras frentes chegando à composição de encontro performativos coletivos intitulados “Rituais íntimos partilháveis” no quais se mobilizam as relações entre corpo e realidade sociopolítica, tendo em conta uma ideia de microscopicopolítica. Essa pesquisa segue em andamento.

Projeto  Atravessamentos (2017 – 2019)

Atravessamentos é uma pesquisa processo que se iniciou em dezembro de 2017, com o re-encontro de duas integrantes do coletivo fundado em 2012: “Mapas e Hipertextos”. Articulando-se em diferentes mídias, buscamos cartografar atravessamentos e inscrições dos corpos no espaço e dos espaços e espacialidades nos corpos através da interpolação e por vezes sobreposições entre experiência e registro.

A proposta objetiva ser finalizada com uma exposição performativa que é um desdobramento do projeto: “Vai pra Cuba!”, onde 18 envelopes foram confeccionados por Paloma Bianchi e Milene Duenha, contendo instruções com provocações e ações diversas a serem realizadas por Michele Schiocchet em diferentes cidades de Cuba. Estas ações foram documentadas e algumas delas estão sendo revisitadas, compondo a partir delas, os capítulos de nosso projeto, que não mais se fixa em Cuba, mas atravessa diversos lugares, dentre os quais o Brasil.

A primeira parte ou capítulo deste projeto se chama “Submersivo” e foi desenvolvida a partir as seguinte instrução: “Colcar estes barquinhos no mar, na direção dos Estados Unidos. Ver se a maré os leva ou os devolve”.

A ação foi realizada em diferentes lugares e foi documentada, sendo revisitada no final de 2018, confrontando-nos com novas questões, gerando então a obra “Submersivo”, exposta até o dia 17/02 na casa Monsenhor Celso, Paranaguá, como parte da mostra “Colaterais”

A obra parte de três movimentos;

Esforço, Colapso, Delírio

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Capítulo 1 – Submersivo (2019)

O gigante acordou, foi pra rua e gritou: Vai para Cuba! A Michele Louise Schiocchet foi. Embarcou no dia 22 de dezembro de 2017 portando 18 envelopes nas cores azul e vermelho, cujo lacre levava a insígnia do poder americano: sua moeda, no caso, a de 5 cents, por falta de outra. Dentro de cada envelope, uma proposição para cada dia de permanência no país como: Colocar barquinhos no mar na direção dos EUA e ver se a maré os leva ou os devolve; Encontrar um cubano disposto a fazer um discurso favorável ao socialismo e outro contrário. Registrar seus discursos; Passar o dia gastando apenas o proporcional ao salário cubano. A princípio, nos interessamos em perceber, no comportamento das pessoas, algumas nuances relacionadas à obediência– constituição da noção de massa a partir de uma figura de liderança –; desobediência – insurgência a poderes operantes; privilégios e antagonismos no sistema socialista; e questionar noções de governabilidade dos corpos.

Ambiguidades e complexidades de posicionamentos políticos em Cuba nos fizeram olhar para as idiossincrasias do conturbado processo político brasileiro, principalmente no contexto eleitoral do ano de 2018. Pressões, agressões, morte de pessoas conhecidas e ameaças fascistas deram visibilidade ao quanto populações de países inteiros podem ser manipuláveis. Percebemos também a determinância do cerceamento da liberdade para a eleição de grandes líderes (heróis que nos salvam do inimigo).

Observamos as ondas (no sentido literal e figurado) e o quanto a capacidade de imaginação e autonomia pode ser afogada no vai e vem dessas ondas. Essas percepções se desdobraram em três perspectivas de ação: uma vinculada à idealização, desejo e projeção; outra ao esforço e colapso; e outra ao delírio e amortecimento. As ações se dão em uma composição videográfica que contém imagens das proposições realizadas em Cuba por Michele e de proposições experimentadas em movimento por nós duas no Brasil.

Fotografias da incursão no ambiente cubano e de desdobramentos compositivos que aconteceram no processo desses materiais são expostas como possibilidade de convidar a audiência a realizar uma viagem, além mar, para o futuro que se imagina. O vídeo pode ser acompanhado pelo seguinte link: https://www.micalou.org/submersivo

Um primeiro capítulo dessa incursão segue em exposição na Mostra Colaterais na Casa Monsenhor Celso, Paranaguá, PR até o dia 17/02/2019.   Fotografias dessa viagem performada em ambiente cubano e de desdobramentos compositivos videográficos convidam a audiência a realizar uma viagem, além mar, para o futuro que se imagina.

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Mapeamentos urbanos (2017)

Durante o ano de 2017 o Coletivo Mapas e Hipertextos buscou investigar, por meio de derivas, modos de potencializar o encontro e a manutenção de movimentações coletivas diante do cotidiano repressor, individualista e acelerado. O grupo também se propôs a reinventar as práticas de direito a cidade, a partir do mapeamento afetivo de espaços como praias, pontes e ruas, dentre outros.

Ao se mover por diferentes temáticas e espaços, com proposições mais e menos elaboradas, o coletivo se aproxima dos debates presentes nos modos de organização social dado pelas leis e organização do espaço arquitetônico, criando fissuras inventivas sobre outros modos de habitar a cidade. Tentativas de ocupar a cidade, estranhá-la, e se colocar em risco para ativar um outro olhar sobre o mesmo lugar, fazer o que não se pode, aquilo que sempre sentiu vontade, questionar o patrimônio, a cidade pra quem?              

Equívoco (2017)

Se equivocar não é errar, tampouco é se enganar ou falhar no processo de interpretação. O erro e o engano pressupõem uma inequivocidade original, como se fosse possível a existência de uma única perspectiva legítima. Já o equívoco pressupõe a heterogeneidade de pontos de vistas, não para silenciá-los ou neutralizá-los, ao contrário, para intensificá-los. O equívoco habita o espaço intersticial da relação entre um e outro, entre um e outros, uma relação com a exterioridade. Portanto não se pode predeterminá-lo, mas jogar com ele a partir do momento em que o encontro se apresenta a nós.

Durante o ano de 2017, o Mapas e Hipertextos vem investigando maneiras de acionar o equívoco como procedimento de composição em dança. Multiplicidade, pontos de partida e percepções do comum/diferente, junto/separado, podem ou não ser percebidos pelos outros, mas quando sim, o equívoco emerge. Ainda não postas em relação com o público, essas experimentações estão sendo vivenciadas nas práticas do grupo como modo de ação no contexto urbano.

AÇÃO DE VERÃO 2017 –  fuleiragem – Mar (ia – sem -ver ) gonha 

O Coletivo Mapas e Hipertextos convida a artista Bia Medeiros – Corpos Informáticos – DF para um encontro, nesse encontro, muita conversa, muita experiência em arte e política dividida e, como não poderia ser diferente, performance – fuleiragem na qual, Bia, Mapas, estúdio de arte de rebelde e outros convidados em chamada pública formam  um bloco vermelho que caminha a provocar a lógica arquitetônica da cidade, não somente pela sua cor, mas pelo comportamento, o grupo com ações ora por contaminação, ora independentes, carrega o MogAmAmaEx,  “mognos amazônicos em vias de extinção, levados para conhecer o Brasil antes de sua morte”.  

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